domingo, 20 de novembro de 2016

Un té para tres

O domingo já chegou? Mais um texto então para o blog? Sim, essa semana com um intervalo menor do último texto. Aliás, obrigado a todos (as) que comentaram comigo essa semana que leram o post e que gostaram do nome. É legal quando as pessoas comentam que leram ou até mesmo sobre alguma coisa que eu escrevi. 

Vocês que andam lendo também já perceberam o quanto a informação de que uma criança vai nascer mexe com todo a nossa maneira de ver o mundo. Essa semana um pensamento bem curioso me veio à cabeça em relação a tudo isso. Aos que não sabem, eu nasci em uma pequena cidade do sul de Minas Gerais chamada Cruzília, filho do seu Joaquim e da Dona Francisca. Originalmente sou filho das montanhas de Minas, da Minas onde se faz frio, de onde se come pinhão, terra do queijo fino e das cachoeiras. Tive uma infância perto da natureza, "longe demais das capitais" (Engenheiros do Havaí) e apesar de ser um guri sonhador, jamais imaginaria até onde a vida me levaria. Chegou um tempo que eu não cabia mais em Cruzília, então o Adriano queria "sair para ver o mar e as coisas que ele via na televisão" (Legião Urbana). O mar mesmo eu fui conhecer aos 23 anos em Torres no Rio Grande do sul. hehe Mas o que acontece é que saí para trilhar meu próprio caminho. Depois de Cruzília, morei em outra cidade de MG, chamada Campanha, fiquei um tempo curto e voltei para a casa dos meus pais. Embora Campanha fosse mais ou menos do tamanho de Cruzilia e também em MG, acho que a experiência já foi o suficiente para me mostrar que o mundo já era maior do que eu conseguiria imaginar. Depois de Campanha, vieram São João del rei, Porto Alegre, Belo Horizonte, Porto Alegre e agora Florianópolis. Cada uma dessas cidades me moldou de alguma forma, me ensinou algo novo. Cada uma delas me trouxe coisas boas e coisas ruins. Da minha história recente, tenho um grande carinho por Porto Alegre e pelo Rio Grande do Sul e não tenho medo de dizer que Porto Alegre tenha, de certa forma mudado minha vida pra sempre e isso tem muito a ver com o bebê. Foi lá que conheci minha esposa, companheira, amiga e agora mãe do (a) meu (minha) filho (a). Mas antes disso conheci grande parte do estado, amigos (as) maravilhosos (as) que estão comigo até hoje e que sou muito grato a todos (as). Carrego no peito o "Libertas Quae será tamén" o "sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra" 

Bom Adriano, que que te fez escrever sobre isso? Que que isso tudo tem a ver com o bebê? Simples, todos os lugares que eu morei me trouxeram experiências. Já morei em 15 apartamentos e casas contando todas essas cidades. Já dividi apartamento com 3 pessoas, 4, 10 e até 35 pessoas. Já morei em quartinho minúsculo que mal cabia a cama. Já me mudei com apenas 19 kilos de pertences em uma mochila e em uma mala. Mas o que me fez fez refletir essa semana é que agora eu moro em um lar e que agora seremos três! As experiências passadas serviram para me ensinar e para me construir como pessoa. Não quero voltar a morar nas mesmas condições que morava antigamente, mas sempre levarei comigo tudo que aprendi. Tenho até saudades dos vários lugares e pessoas que eu conheci nos lugares que vivi. Quanto a elas, umas se foram e outras continuam. A vida é assim mesmo, nada é estático, nada é imutável e o que a vida me traz agora é a fase de uma terceira pessoa, mais uma pessoa para tomar um chá comigo. 

O título do texto é uma música da Banda Argentina Soda Stereo e significa "Um chá para três". O líder da banda Gustavo Cerati escreveu a música para o pai em uma ocasião onde os três tomavam um chá. O sentido da música na verdade é triste, mas não vou explora-lo nesse post. O que importa para mim aqui é o número três e o que ele representa agora na minha vida como membro de uma família e também responsável por ela. Acabei me dando conta de que casa não é um lugar, e sim um estado de espírito e com quem estamos. Minha casa hoje somos nós três e assim como o Cerati cita na música que dá título nesse post: "no hay nada mejor que casa" 

https://www.youtube.com/watch?v=k0vLxG7O9j0


A cup of tea for three! 

Sunday already? One more text for my blog? oh yeah! and this week I had to wait only four days to write another post. By the way, I would like to thank all of you who have been reading my blog! It's so nice to know that people are reading it and commenting on it! 

You, who have read my previous posts, noticed how the fact of having a baby can change one's life and this week made me think of something about it all. Some of you might not know that but I was born in a very small town in the Brazilian state of Minas Gerais called Cruzilia. I am the second son of mr. Joaquim Santos and Mrs Francisca Santos. Originally, I am a son of the mountains. I am from the region of Minas Gerais where it gets cold. it's also the region where we eat pinion fruit, cheese and where there are uncountable waterfalls. I had a nice childhood and I grew up very close to nature and far away from the capital cities and despite being a dreamer, at that time I had never imagined where life would take me. It came a time that I realized I didn't fit in Cruzilia any longer. I wanted to leave and see the world by myself. I then, left Cruzilia to follow my own path. At the age of 15 I went to Campanha, another small town in the same state. Despite it being small and being close to Cruzilia, it showed me that the world would be much bigger that I would it would be. I have also lived in São João Del Rei, Porto Alegre, Belo Horizonte, Porto Alegre (again) and finally Florianópolis.  All the cities and towns I have lived in have taught me something new, they helped shape me and the ways I see the world today. I have had good and bad experiences in each one of them. From my recent history, I have a great love for Porto Alegre and for its state, Rio Grande do Sul.  I am not afraid of saying that Porto Alegre has changed my life forever and it has a lot to do with the baby. It was in Porto Alegre where I met my loved wife and now my child's mother. But even before I met my wife, I had met amazing friends. I am sure they are still there for me as well I am there for them! 

Well Adriano, what does it have to do with the baby? That's a question with a quite simple answer. As I had mentioned, all the cities and tows I have lived in gave me experiences which I'll never forget! I have already shared an apartment with 3, 4, 10 and even 35 people. I have already lived in a tiny shabby cramped room. I have already moved to another city with only 19 kg of clothes and belongings in a suitcase and in a backpack. It all made me think that now I have a home and we will very soon be "three". I look back at the past and I remember the good times I had in all those cities and places but my life has completely changed. I have a family now and I am waiting for a third person to come. Very soon I'll have one more person to have a cup of tea with me. Life is exactly like this: things do change! nothing is statical and it's beautiful we can  always (re) construct and deconstruct ourselves. 

The title of this post is actually from a song written by an Argentine band called Soda Stereo. The original name in Spanish is "Un té para tres" (a cup of tea for three in English). Soda Stereo's leader, Gustavo Cerati, wrote this song when he was having a cup of tea with his parents. What matters to me now is the number three and what this number means to me now. It means a family, It means I am responsible for my family as well as I am a member of it. I have also realized that home is not a place you live in. Instead, it is who you are with and your state of mind and spirit. My home now is the three of us and as Cerati sings in his song: "there's no place like home" 

https://www.youtube.com/watch?v=k0vLxG7O9j0

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Teu nome é... / Thy Name is ...

Início da semana, excepcionalmente não houve texto no domingo. Será que alguns podem ter pensado que eu desisti de escrever? Mas que ousadia e ego são esses Adriano? pensar que que tem gente que aguarda ansiosamente os domingos só para ler o blog? Brincadeiras à parte, não que eu fique desesperadamente esperando para que o blog seja lido e comentado, mas confesso que fico feliz que amigos queridos têm feito comentários sobre a gravidez e sobre o que está escrito. Aliás, foi por pedidos de alguns amigos também que a partir de hoje eu vou escrever em Português e em inglês logo abaixo, assim quem quiser pode ler e comentar independente do idioma. 

Essa semana eu fiquei pensando em tantas coisas que quero contar pro (a) meu (minha) filho (a) no futuro. Até mesmo este blog vai ter muitas lembranças que eu vou querer contar e dizer como eu me sentia na época. Não que seja importante pra muitos, mas hoje por exemplo vou me lembrar que o maior avião do mundo, o Antonov 225 (único no mundo) pousou no Brasil. Também vou me lembrar das eleições americanas no futuro e a eleição do Trump para presidente. Prefiro ser otimista, prefiro pensar que mundo ainda estará lá, muito diferente do que conhecemos hoje, mas a lua ainda brilhará para esse mundo, que ainda teremos motivos para sorrir. 

Vamos ao que interessa, começo da 16 semana de gravidez, aliás contar em semanas já é algo super natural pra mim. Para quem ainda não entendeu o porquê de se contar em semanas, eu explico: cada semana, cada minuto é importante para o bebê. Nessa semana, nosso querido bebê já tem 100 gramas, exato! 100 gramas! Parece pouco né? pode parecer, mas há pouco tempo atrás, ele (a) tinha algo em torno de 5 gramas, ou seja, tá muito maior agora e vai ficar cada vez maior. 

O que vocês devem estar pensando é por que que eu ainda não comecei a falar ainda dos nomes que já escolhemos. Queria apenas fazer essa introdução antes de mencionar os nomes. O nome é apenas uma palavra não é mesmo? às vezes é composto, mas o importante é que o nome é talvez a primeira coisa que marca nossa identidade. Quando as pessoas nos perguntam quem tu é, uma das primeiras coisas que nos vêm à cabeça é o nosso nome. Pois bem, os nomes escolhidos então são Miguel ou Gabriela. Sei que muitos pais escolhem o nome bem depois que descobrem que vão ter um bebê, mas nós já havíamos pensado nos nomes até antes da gravidez. 

Primeiramente, pensamos em nomes simples, nada de dois LL, Y, LY, acentos e variações que fariam com que  o (a) filho (a) tivesse que soletrar o nome todas as vezes que tivesse que dizer o nome. Também pensamos em nomes que não sofressem nenhum tipo de bullying. Sério gente, é preciso pensar nisso. Meu nome nunca sofreu bullying, mas muitas vezes a piada já vem pronta e coitada da criança. Um outro critério que adotamos foi de o nome ser pronunciado pelo menos nas línguas que falamos, para não causar nenhum tipo de confusão. Até gosto do nome João, mas o fonema ÃO é muito difícil de ser pronunciado por estrangeiros. Além de todos esses critérios, a Bárbara havia me dito que sempre gostou do nome Gabriela e que desde criança já dizia que teria uma filha com o nome Gabriela.  Certamente eu não me opus ao nome. As vezes brincava com ela que quem registra o nome da criança sou eu e que eu poderia mudar o nome na hora do registro. Até faria isso, caso a Bárbara tivesse batido o pé e escolhido algo do tipo Anacleto. hehe. Mas gosto de Gabriela, acho sonoro, bonito, simples, forte e pronunciável. O nome Gabriela é hebraico, Gabriel (sua versão masculina) é um dos arcanjos, questionador, rebelde até, cheio de energia e em hebraico significa "mensageiro". Até imagino a Gabriela nos questionando, batendo o pé e acima de tudo não aceitando tudo que vê sem questionar. 

Bom, já que a Bárbara sugeriu o primeiro lindo nome, ela me disse para sugerir o nome da criança caso seja guri. Daí pensei nos mesmos critérios e sugeri Miguel. Também um nome simples, pronunciável que atende os requisitos. Também de origem hebraica e também nome de arcanjo. O arcanjo todo poderoso que liderou o exército de Deus nas duas supostas guerras no céu. Ambos são nomes místicos, mas não necessariamente religiosos. Os dois arcanjos estão em estudos de angeologia. Apesar de não me considerar membro ou pertencente a nenhuma religião, tenho lá minhas crenças também. A Bárbara também me disse que gostou do nome Miguel por conta do personagem que o Quino criou na Mafalda: O Miguelito e suas sacadas geniais, com o toque inocente de uma criança 

Então acho que é isso. Estou na verdade, morrendo de curiosidade para saber quem chega, se é a Gabriela ou se é o Miguel. Logo logo saberemos.... 


Thy name is... 

Another week begins and I didn't have the chance to write on my blog last Sunday. Some of you might be thinking whether I stopped writing on my blog or not. How dare you, Adriano? Do you really think people do wait for Sundays to read your blog? not that I desperately expect that people read my blog and/or comment on it, but it makes me really happy that some friends have been reading it and talking to me about things I have written. Actually, it was because of some friends that I'll start writing in English as well. So, from now on, I'll be writing in Portuguese and then in English. Please, feel free to read it and comment on it regardless the language! 

Okay, let us get to the point! this is the beginning of the 16th week of pregnancy. In fact, counting pregnancy by weeks sounds quite natural to me now and for those who did not understand why we count in weeks, yet, I can explain why: every single week, every single day is important for the baby. This is the week that our much loved baby weighs 100 grams. exciting eh? For some people, 100 grams might not sound impressive at all, but some weeks ago our baby weighted only 5 grams. So 100 grams really impress me! 

In this past week, I thought about what I would like to tell my kid when he/she grows up. This blog will help me remember many things that I felt when my kid was very young. Not that this is important to all of you, but I will sure remember that the largest (and only one) cargo airplane in the world landed in Brazil today: the powerful Antonov 225. I'll also remember the past week when Donald Trump was elected president of the United States. About that, I'd rather be optimistic, I'd rather think that the world will still be there, quite different form what we know now, but It will still be there. The moon will still shine and we will still have reasons to smile. 

What you might be wondering now is why I haven't mentioned the names we have chosen, yet. I just wanted to introduce this post before writing about the names. Our names are just one word, aren't they? Sometimes they are compound names, but still, our names are the very first thing that mark our identities. When people ask you 'who are you' ? your name is one of the first things that comes to your mind. Well, the names we have chosen for our kid are Miguel or Gabriela. I know that many parents choose their kids' names later in pregnancy, but Barbara and I had chosen ours even before we knew we were going to have a baby. 

At first, we thought of simple names! No LL, Y, LY or anything that would make our kid spell his/her name every time somebody asks him/her what his/her name is. We have also thought of names that will not suffer from any kind of bullying. Seriously, folks! one must think about that! I have never suffered any kind of bullying, but sometimes somebody is always there, ready to make a joke about your name, and poor kids whose names are more likely to suffer from bullying. Another criterion we had thought of in choosing our kid's names was the simple fact that the name has to be easily pronounced in the three languages we speak in order not to cause any kind of misunderstanding. I like the name João myself, but I think the phoneme ÃO is extremely difficult for non-portuguese speakers to pronounce. Besides all that, Barbara told me that she has liked the name Gabriela since she was a kid. Of course, I did not oppose to her suggestion. I used to kid her and say that I was the one in charge of officially register the kid's name and that I had the power to change the kid's name if I wanted to. hehe Of course I won't do that, unless Barbara had chosen Anacleto for our kid's name. I like Gabriela! I find it beautiful, strong, simple and pronounceable. Gabriela is a Hebrew name. Its masculine version, Gabriel, is an archangel, intriguing, a rebel, full of energy and it means "messenger". I can easily picture Gabriela questioning us in the future and not easily accepting  all the injustices that will be around her. 

Well, since Barbara has suggested the girl's name, she asked me to suggest the boy's name. After thinking of all all criteria I had written about, Miguel was the name I have chosen for the boy's name. Simple name, strong pronounceable and in accordance to all requisites we had previously thought about. It is also a Hebrew name and also an archangel. The almighty archangel that led God's army in the two supposedly to have happened wars in heaven. Both are mystical names but not necessarily religious names. Both are names you can find in angelology. Despite not belonging to any religious group, I do have my beliefs. Barbara also told me that she liked Miguel because of Quino's character  in Mafalda called Miguelito, who makes amazingly intelligent comments with a little touch of child naiveness. 

Well, I think that's it! I am quite curious to know who will come to this wold, Miguel or Gabriela... We'll soon know that! ... 

domingo, 6 de novembro de 2016

"Esperando Godot!"

"Nothing to be done"! ou em bom português: "Nada a ser feito!" O início dessa minha postagem, assim como o título dela referem-se à peça irlandesa escrita por Samuel L. Becket com o título em inglês "Waiting for Godot". Na peça, dois personagens Estragon e Vladimir esperam por Godot. Uma espera que parece não ter fim, um conflito existencialista e intra-pessoal de esperar por Godot, alguém que eles não têm muita certeza de quem pode ser. 

Inicio a semana com esse pensamento, "nothing to be done!" Estamos também esperando, esperando um bebê, no caso o nosso Godot. Uma espera que parece interminável. hehe 

Completamos hoje 14 semanas de gravidez e tudo corre bem até o momento, os enjoos continuam entre todas as transformações físicas e psicológicas pra Bárbara e somente psicológicas pra mim. De acordo com o aplicativo das frutas, o bebê já está do tamanho de uma maçã. Nossa, essa parte é realmente incrível! Eu ainda me lembro de quando começamos a ler e a contar o bebê tinha o tamanho de um gergelim, e agora uma maçã? No meu último texto, algumas pessoas se sentiram um pouco desconfortáveis com a essa comparação, mas é apenas para termos uma noção do tamanho do bebê e de como se desenvolve. E sim, é incrível pensar que dois gametas não visíveis a olho nu se juntam para formar um zigoto, também não visível a olho nu possibilitem várias divisões celulares até chegarmos na maçã. hehe Quando eu penso em todas essas transformações, eu me encho de vida! Uma vontade inexplicável de viver e de saber que a vida que vem por aí é um pedacinho meu e da Bárbara! 

Resolvi escrever o texto hoje sobre a espera que parece ser longa, parece ser interminável às vezes, mas na verdade eu confesso que estou exagerando um pouco ao dizer isso. Explico, bate a ansiedade sim de passar a gravidez, mas ao mesmo tempo essa é uma fase que tem que ser vivida e curtida também. Acho que quando meu (a) filho (a) tiver seus 10 anos vou lembrar e contar com saudade também de como foi a espera. Claro que essa é a minha perspectiva, talvez a Bárbara me questione: "Claro que sente saudade, não foi tu que ficou enjoado!"  Quanto a isso, reforço aqui o quanto é importante estar junto e cuidar das duas vidas extremamente importantes para mim nesse momento, pois também quero que daqui a dez anos também minha esposa se lembre com carinho como foi o processo todo. 

Bom, ao contrário da peça, não esperaremos para sempre, o nosso Godot logo terá essa metáfora substituída por um nome que já escolhemos (assunto para outro texto) e o "Nada a ser feito" (Nothing to be done) dará lugar ao "Há muito a ser feito!"